
Antes de nos introduzirmos de uma vez no que é o teatro,
devemos saber de onde nasceu a arte que nós defendemos. O comportamento criativo pertence à categoria dos comportamentos integrativos, uma vez que o ser humano sente, pensa, age e cria como um todo e na sua trajetória vital é sensível às mudanças ambientais, a fim de ajustar a própria mudança pessoal. A dimensão criadora das suas atitudes leva-o não só a fazer novas associações para integrar idéias e objetos mas, também, a saber manipulá-los com o objetivo de ativar sua mente e descobrir novas potencialidades. Criatividade é a emergência de um produto relacional novo, resultante, por um lado, da unicidade do indivíduo e, por outro, dos materiais dos eventos de outros indivíduos e das circunstâncias de sua vida. (Rogers) Muitas pesquisas foram realizadas, procurando uma definição, meios que permitam avaliar as capacidades criativas e fatores condicionadores da produção criativa. Algumas definições são constituídas da seguinte forma: Criar é expressar o que se tem dentro de si, devendo ser a concepção criativa, sempre original e individual, uma vez que todo esforço autêntico de criação é interior.(Matisse) Criatividade é um processo que torna alguém sensível aos problemas, deficiências, hiatos ou lacunas nos conhecimentos, e o leva a identificar dificuldades, procurar soluções, fazer especulações ou formular hipóteses, testar e retestar essas hipóteses, possivelmente modificando-as, e a comunicar os resultados. (Torrance) Criatividade pode ser considerada como uma forma de solucionar problemas, envolvendo saltos intuitivos ou uma combinação de idéias de campos largamente separados de conhecimentos. Isso nos levaria a completar, implicando na manipulação de símbolos ou objetos externos para produzir novos eventos. (Cagné) Criatividade é processo de se formar idéias ou hipóteses, de testar hipóteses e de comunicar resultados, pressupondo que o produto criado seja algo novo. (Thurstone) Criatividade, num sentido restrito, diz respeito às habilidades, que são características dos indivíduos criadores, como fluência, flexibilidade, originalidade e pensamento divergente, relacionando o processo aos fatores e variáveis isoladas e avaliadas.(Guilford) A criatividade é um processo de mudança, de desenvolvimento na organização da vida subjetiva. (Ghiselin) Criatividade é como a descoberta e a expressão de algo que é tanto uma novidade para o indivíduo criador quanto uma realização por si mesma. (Margarete Mead) No pensamento criador a pessoa pensa simultaneamente em mais de um plano de experiência, ao passo que no pensamento comum segue caminhos usados por anteriores associações.(Koestler) O comportamento criativo pode ser estimulado por condições do meio ambiente, sendo muito importantes as experiências educativas de estímulo à criatividade. Por vezes, uma criança criadora atemoriza o professor que se vê pessoalmente ameaçado pela originalidade do aluno e por não poder controlá-lo, ficando então abafado seu talento. É preciso favorecer a estimulação às potencialidades criadoras dos indivíduos através do incentivo às idéias originais, do reforço ao pensamento divergente, de abordagens não diretivas, da aprendizagem pela descoberta e da equilibração progressiva do desenvolvimento mental. Em uma pesquisa realizada com crianças americanas de uma escola pública, foram encontrados quatro grupos, classificados da seguinte forma: O grupo que apresentou alta criatividade e inteligência, mostrou-se seguro, confiante nas suas habilidades e, em termos de relações sociais, desempenha papel de liderança, é mais ativo, demonstra alto nível de atenção, concentração e de interesse, contudo está pronto, quando surge um interesse maior, a canalizar a atenção para esse ponto. O grupo que apresentou maior criatividade e baixa inteligência é o que apresenta maiores dificuldades de adaptação em classe, é inseguro, evita relacionamento, é desconfiado, com atitudes freqüentes de oposição, e tem dificuldades de atenção e de concentração. O grupo que obteve baixos índices tanto na criatividade como na inteligência, apresenta atitude mais coerente e adaptada do que os outro grupos, pois é menos inseguro, tem bom relacionamento e parece compensar as suas performances escolares fracas através da afirmação na esfera social, o que não acontece com o grupo anterior que se torna mais ressentido e retraído. O grupo de alta inteligência e baixa criatividade demonstra confiança e segurança pessoais, entretanto, em termos de padrões de companheirismo, por exemplo, não procura a companhia dos demais, é hesitante ao expressar opiniões pessoais, mas a atenção e concentração são altas, apresenta atitude de reserva social grande e preocupação maior com o rendimento escolar do que com as relações escolares. Quanto ao índice de adaptação e de controle emocional chegou-se as seguintes conclusões: Os grupos de alta criatividade e inteligência tem mais controle e liberdade, tanto relacionada a padrões de comportamento mais infantis ou mais adultos. As crianças com alta criatividade e baixa inteligência estão em conflito com elas mesmas e com o meio ambiente, sendo dominadas por sentimentos de inadequação e insegurança. O grupo de baixa criatividade e alta inteligência pode ser descrito como aquele que adere tão somente ao desempenho escolar; o fracasso escolar é percebido como catastrófico e, por isso, fará o possível para evitá-lo. As crianças que revelaram baixa criatividade e baixa inteligência desenvolvem uma série de manobras defensivas procurando, sobretudo, uma atividade intensa social compenasatória. DESENVOLVIMENTO Uma educação criativa deve favorecer a mobilização do potencial criativo em todas as disciplinas e assuntos, dando valor ao pensamento produtivo, uma vez que a criatividade estará presente em várias situações e diversidade de assuntos. O desenvolvimento da criatividade dependerá da mudança de atitudes, tanto por parte dos professores como dos alunos; devemos considerar que a criatividade é potencialidade que apresenta diferenças qualitativas. Ensinar para a criatividade pressupõe inicialmente promover não só atividades criadoras, mas sobretudo, atitudes, excluindo-se o princípio simplista de que o indivíduo é criador apenas por efeito da hereditariedade. A escola deve continuar a transmitir conhecimento, não como um fim em si mesmo, mas como meio de se atingir uma vida realizada. Aprender por incorporação, seja combinando o retirado de uma experiência com o anterior ou fertilizando a vida intelectual e emocional, favorece a comunicação entre professor e aluno, pois aprenderam através dessa relação que muitas questões comportam várias respostas e erros freqüentes podem representar pontes para soluções corretas. Na verdade muitas realizações nasceram de erros preliminares. O professor criativo favorece a explosão da energia potencialmente criadora dos alunos e a sua respectiva canalização. É preciso criar necessidades para o pensamento criativo, prever os seus períodos de ativação e de incubação, propiciar fontes geradoras de novas idéias, encorajar o pensar até o fim, desenvolver a crítica construtiva e a aquisição do conhecimento em diversos campos. O indivíduo criativo caracteriza-se pela persistência das suas
motivações e pela intensidade dos motivos que o levam a superar
obstáculos e a vencer barreiras. BARREIRAS PARA A CRIATIVIDADE.
1) Necessidade de integração: |